quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Leu na VEJA? Azar Seu!


Faz tempo que sinto que preciso esclarecer porque eu não leio a VEJA. Embora no fundo eu acredito que ninguém com o mínimo discerimento precise ser esclarecido de porquê não ler a VEJA.
Mas é fato!! Eu não leio VEJA! Nem quando estou numa sala de espera...Se o link de uma reportagem e me redireciona para o site da VEJA, eu saio e não leio.

Quando ligam em casa me oferecendo 4,5 ou 6 semanas de VEJA de graça eu peço "peloamordeus" para não mandarem pois eu teria vergonha dos meus vizinhos.

Sinceramente? Não me interessa nada que seja publicado lá e nem as pessoas que publicam como Diogo Maniardi, Duda Morais e outros pseudos-intelectualóides da imprensa marrom brasileira discipulos do Arnaldo Jabor, em tempos, também não leio nada que o Arnaldo Jabor escreve...

Como eu sempre estou criticando a VEJA, acho que chegou o dia de esclarecer  do porquê não leio VEJA.

Eu adoro ler. Quando tinha 10 anos de idade, ganhei minha primeira assinatura de revista. Ao longo dos anos sempre pude experiementar o delicioso prazer de receber um jornal, livro ou revista em casa.
Um dia assinei a VEJA, estava fazendo vestibular e me disseram que me ajudaria na prova de redação.
Assim iniciou meu relacionamento com a VEJA, que toda semana chegava à minha porta.

Era um ritual, a revista chegava e corria p/ minha porta e abaixava para pegá-la. Ao longo do tempo, esse movimento de me curvar para pegar a revista me fazia crer que no fundo o que a VEJA queria era que eu me tornasse uma quadrúpede.

Não vou entrar na questão do projeto gráfico da revista que é péssimo, a quantidade imensa de anunciantes que se fossem tiradas a revista teria 1/3 do tamanho. Mas o que me desagradava na VEJA era que sempre tinha uma reportagem que me dava arrepios ou revoltava. Eu como leitora assídua,  escrevia para a revista. Lógico que nunca publicaram nada que eu mandei. Mas antes que o leitor desavisado ache que o meu ódio e repúdio a revista vem de uma mágoa de "blogueira ruim metida a jornalista-escritora" selecionei algumas capas para que cada um tire suas conclusões.

A VEJA e suas capas pseudo-artisticas pós-moderna:


1993-09-15
VEJA e a sua "releitura"de Rodin

Precisa comentar?
Não é de hoje, que a Revista explora grandes obras de arte para ilustrar suas matérias colaborando  para a formação cultural do brasileiro, que já pode chegar nos museus do mundo e falar "Ah, já vi essa obra na VEJA" e tirar sua fotinho que irá para o facebook. Mas "pseudo-intelectualidade" não pára só ai...Segundo a própria VEJA é possível dar opiniões sobre livros sem lê-los, ler pela metade e tudo isso dito por um "ensaista francês". Se alguém dúvida click aqui (Lembre-se: Este click será redirecionado para uma página da VEJA...)
VEJA e Magritte
Outra obsseção da revista é por dietas, qualidade de vida, novas tendências contra o envelhecimento, vida sexual e tudo mais relacionado a boa saúde. Nada contra isso, mas o tom de científico que a VEJA tenta dar é irritante. As reportagens tem a mesma profundidade (ou até menor) do que as revistas especializadas em "good health life stile" como "Boa Forma", "Saúde Já", etcs.


Capas da VEJA e dieta, saúde e bem estar

Fora isso, o tom de "jornalismo denuncismo apocalítico" me irrita. O Apocalipse virá logo e os jornalistas da VEJA são os tocadores das trombetas. Mas pela VEJA eu fico em dúvida se o mundo acabará numa catástrofe ambiental, se o sol vai explodir, a terra vai colidir com algum meteoro, uma super bactéria, nas mãos dos terroristas, por Fidel ou ainda pelo Lula. Em tempos achei uma capa que ilustra bem o que quero dizer.




Acho que demoraria uma semana para dizer o que é ruim na VEJA, mas diria que a sessão de "Frases da semana" ou citações é o resumo da estupidez humana. É como aqueles livros intitulados "Minutos de Sabedoria" ou seja, quem precisa de "minutos de sabedoria" não sei o que faz com o resto dos minutos de sua longa vida...

E as reportagem políticas?
 Ahh!!! Eu me pergunto como uma revista consegue ser tão tendenciosa? Será que as pessoas que escrevem tem coragem de olhar em casa no espelho? Conseguem deitar a cabeça no travesseiro e dormir de consciência limpa? Nem vou entrar no mérito delas, pq não tem algum...Mas  vão algumas capas.




Che, Serra (com os dizeres "Me preparei a vida inteira para ser presidente") e Lula




Fidel, FHC e Lula


As páginas amarelas, se alguém sabe me dizer porque elas são amarelas diga agora! Talvez porque classificados são amarelos e tem muita informação e nada de conteúdo ou ainda elas deviam ser "Páginas Marrom" fazendo uma referência a cor do material que a revista produz, ou ainda são amarelas devido a cor dos excrementos quando não estão em perfeita saúde... Muitas entrevistas  foram dadas naquelas páginas, muitas pessoas respeitáveis, talvez seja onde é possível de vez enquando encontrar algo que se preste.

Fora isso, o tom de denúncia e temas polêmicos como religião, crimes horríveis que chocaram e lógico o mundo das drogas que sempre é uma ameaça para as famílias como a VEJA gosta de mostrar e explorar o tema, sem ligar para privacidade, ética e comprometimento...
Capas da VEJA e as Drogas

Hoje o mundo vive uma falsa liberdade, uma falsa ética e digamos que uma falsa "era sem preconceito"... Porém, eu seria capaz de montar uma histórinha de como deveria ser a vida de uma mulher como eu, segundo a VEJA.

Uma vida ditada por VEJA
"Você mulher que está sozinha precisa urgentemente arranjar um companheiro, pois é coisa de fracassada ficar sozinha. Mas não se esqueça, lute com todas as armas nem que você tenha que fazer uma lipo para ficar gostosa e atender os padrões de beleza e estética. Case-se pois casar faz bem e você não quer ser uma solteirona fracassada né? Perdõe sempre, sejam as traições do marido que você arranjou porque precisava casar ou seja lá o que for. Mas além de ser uma boa esposa, você precisa ser uma boa mãe na sufocada classe média...Se tudo isso ainda te fizer infeliz??? AUTO AJUDA!!"

Eu não sou contra casamento, filhos, namoro. Mas acho que precisamos ser felizes e depois irmos em busca dos nossos sonhos e não só sermos felizes se acontecer isso ou aquilo. Não existem regras e se você acha que uma revista semanal vai trazer explicações e conselhos capazes de ditar como deve ser a sua vida, suas opiniões e percepções do mundo....Sinceramente? AZAR SEU!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Monet

"Les Nymphéas - Musée l´Orangerie"

Claude Monet nasceu em Paris, na França, em 1840. Quando era criança mudou-se de Paris com a família para uma cidade próxima. Retornando a Paris já adulto, quando já havia planos de ser pintor.

Porém o serviço militar interrompeu seus estudos e quano voltou a estudar  conheceu Sisley, Renoir e Bazille. Juntamente com estes mais tarde formaria o grupo dos Impressionistas.

Juntos realizaram em 1874 uma mostra que também contou com a presença de Boudin, Pissaro, Cézanne entre outros.

Porém, a mostra não foi bem aceita e o nome "Impressionistas" veio da crítica a um quadro de Monet chamado "Impressão: O sol se levanta". Segundo os críticos os quadros não passavam de um rascunho, uma primeira "impressão".

Monet, sem conseguir vender seus quadros, vivia em absoluta pobreza e alguns anos depois durante a guerra contra a Prússia se refugiaria na Inglaterra para não ter que se alistar.

Com o fim da guerra, Monet retorna à França, indo morar em Argenteuil. A derrota da França dá início a um período de instabilidade política que marca o fim do império.

Em 1876 Monet conhece Ernest Hoschedé  que organiza a segunda mostra de Impressionistas onde se juntaram também Manet, Degas entre outros. Porém, novamente foi um fracasso. O movimento impressionista só começou a ganhar força alguns anos mais tarde em 1878, quando começam a surgir as primeiras críticas favoráveis ao movimento. Com isso, o prestígio de Monet começa a crescer e no ano seguinte Durand-Ruel realizou com sucesso uma exposição dos impressionistas em Nova York.

Depois de ter experimentado anos de extrema pobreza, Monet começava a prosperar. Em 1883 muda-se para Giverny e dar se ínicio a uma nova fase tanto na sua vida como na carreira.

Em Giverny, cuidar do jardim torna-se um passatempo preferido e fonte de inspiração para muitos dos seus quadros, principalmente a série Les Nymphéas, que seria posteriormente doadas ao governo francês.
Com a visão mais debilitada, seus quadros passam para uma fase mais abstrata.  Em 5 de Dezembro de 1926 morre, em Giverny.

Recentemente estive no Museu l´Orangerie e pude ver pessoalmente "Les Nymphéas". A série ocupa duas salas ovais feitas exclusivamente para receber tais telas. São lindas e você pode sentar no centro da sala e ficar horas admirando o jardim...

Eu recomendo quem vai a Paris visitar o Museu L´Orangerie, que conta com telas também de Picasso, Gaugin dentre outros. Trata-se de um museu pequeno localizado no "Jardins  de Tuileries" (que prometo um post só para ele) e próximo ao "Place de La Concorde" (local onde os reis da França foram guilhotinados e também terá um post só para ele).

Os quadros de Monet hoje fazem parte do conhecimento do grande público, sempre atraem expectadores e são temas de grandes exposições. Embora eu não seja uma grande conhecedora do Impressionismo e de Monet, sempre vale a pena admirar...

Porém, "Les Nymphéas" é algo sensacional, tanto pelo tamanho das obras como pela sua beleza e acho que o impressionismo fica mais "impressionante".












segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Zurique

Zurique e o Rio Limmat ao fundo a Igreja Fraumüster

Zurique na Suiça, é uma amostra do melhor do estilo suiço. A cidade é cortada pelo Rio Limmat, que é incrívelmente limpo. No verão, as pessoas aproveitam o lago como balneário.

Quem está disposto a fazer turismo em Zurique deve se preparar para gastar. Considerada como um dos centros financeiros da Europa, a cidade é cara para turistas, sejam eles de qualquer parte do mundo. Tanto que no seu guia turistico tem algo escrito como; "seja bem vindo a uma das cidades mais caras do mundo", ou seja, prepare-se para desembolsar alguns bons francos...

Embora não seja um destino turístico, a cidade tem boas atrações e algumas até gratuítas como o museu de arte de Zurique; Kunsthaus, que não cobra entrada para a coleção permanente e possui obras de artistas importantes como o suíço Alberto Giacometti e outros bem conhecidos como Picasso, Cézanne, Van Gogh, Monet e Munch.

Outro passeio gratuito é a igreja Fraumünster e os vitrais criados por Marc Chagall.  Vale a pena e são lindos!!!

Quem estiver disposto a gastar pode passear pela avenida Banhofstrasse e parar na confeitaria Sprüngli.

Durante a noite, os bares próximos ao lago, ficam iluminado proporcionando uma bela imagem.

Não deu tempo de conhecer outros lugares da Suiça mas deu para conferir que a terra dos chocolates, canivetes e relógios é um verdadeiro charme.

sábado, 2 de outubro de 2010

Get Back to Where You Once Belonged


"A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa. Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo. Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
 Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"

Deixo aqui a citação de Mario Quintana, pois viajar é muito bom sempre!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Amor Líquido


 "A modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos - um amor líquido. A insegurança inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar esses laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos"

O texto e o título deste post são partes do livro de Zigmunt Bauman, sendo o começo de uma provocação que levará o leitor sobre a fragilidade dos laços humanos. Longe de ser um livro de auto-ajuda sobre como conquistar e manter parceiros ou ainda sobre relacionamentos, vale lembrar que Bauman é um sociologo professor de Sociologia nas Universidades de Varsóvia e de Leeds. Ele tem vários livros traduzidos para o português, e o tema recorrente em sua obra são os vínculos sociais possíveis no mundo atual, neste tempo que se convencionou denominar de pós-modernidade.

Assim como Baudelaire em "Le spleen de Paris" disse "Corte em pedacinhos e vai descobrir que cada um deles tem vida própria" o texto de Bauman vai fluindo sobre as principais questões do relacionamento humano. Cada pedaço tem vida própria, cada fragmento de texto nos leva a reflexões sobre a fragilidade dos laços humanos e como a era da informação está tornando os laços "flexíveis" gerando níveis de insegurança cada vez maiores. Na era das mídias sociais que os relacionamentos se dão em "rede", aos poucos Bauman vai mostrando que estas redes podem ser tecidas e desmanchadas com facilidade.

Com isso, não somente os vínculos amorosos e familiares são afetados e sim as relações humanas. O livro vai além e retrata como a dificuldade em se tratar um estranho com humanidade tem influenciado as políticas anti-imigratórias de diversos países.

O tema "relacionamentos" enfrenta um "boom" no mercado editorial. A cada dia são publicados mais livros sobre o tema na seção de auto-ajuda do que o leitor é capaz de ler. Enquanto isso um exército de pessoas consomem desesperadamente no intuíto de relacionar-se.

Se voltarmos a sabedoria dos gregos no "Banquete de Platão", a profetisa Diotima de Mantinéia resaltou para Sócrates que "o amor não se dirige ao belo" e sim a "geração e nascimento do belo". Ou seja não é feito ou ansiado por coisas prontas e amar está mais no processo de criação do que no ato pronto.

Bauman vai além e exemplifica que no amor existem dois seres e uma grande incógnita. Talvez por isso que este parece mais com um capricho do destino do que um ato de liberdade do ser. A liberdade de ser se incorpora ao outro e o amor individual não pode ser atingido. Para ser capaz de amar é necessário coisas como humildade, fé, coragem e disciplina. Mas numa cultura na qual se tornam cada dia mais raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar é cada dia mais díficil.

Segundo Bauman a nossa cultura consumista favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro e o desvanecimento das habilidades de sociabilidade é reforçado e acelerado pela tendência inspirada no estilo de vida consumista e dominante onde tratam-se os outros seres humanos como objetos de consumo e os julgam-se segundo este padrão. Assim o outro é na melhor das hipóteses parceiro de consumo ou companheiros na atividade e alegria de consumir, cuja presença pode intensificar esses prazeres.  Neste processo, os valores intrínsecos dos outros como seres humanos singulares vão desaparecendo. Com isso, valores como a solidariedade, fraternidade dentre outros valores humanísticos são os primeiros a desaparecer, fazendo os laços sólidos tornarem-se frouxos, ou ainda líquidos.

O Amor Líquido dá lugar ao Amor Sólido e numa sociedade onde o indíviduo dá lugar ao coletivo, as reflexões de Bauman se tornam cada dia mais pertinentes.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Che 2 - A Guerrilha

Algum tempo fiz uma resenha sobre filmes com mote a Revolução Cubana. O post "Hasta La Victoria Siempre" foi uma sinopse de alguns filmes, dentre eles "Che".

Resolvi continuar o post após assistir "Che 2 - A Guerrilha". O filme é a continuação da biografia de Che Guevara. Após a Revolução Cubana, Che (Benicio del Toro) abandona Cuba com o intuíto de perpetuar os ideais revolucionários na America Latina.

Como Simon Bolivar, foi para a America Espanhola, libertando da Espanha, Che queria promover novamente a independência dessa mesma América dos grandes coronéis e o domínio americano.

O filme é baseado nos diários de Che e retrata seus últimos dias e a campanha na Bolivia quando foi capturado e morto pelo exército boliviano. Impossível não se emocionar com o filme e Benicio Del Toro consegue uma excelente caracterização.

Infelizmente a América Latina não estava pronta como ele pensava. Porém, os seus ideais ainda hoje se perpetuam e Che sempre será lembrado como um exemplo de idealismo.

A Cuba de Che resiste embora aqueles que são contrários ao regime cubano possam criticar  a falta de bens de consumo ou ainda a falta da liberdade de expressão. Porém, vamos a alguns fatos:

Segundo dados do PNUD Cuba está entre os 70 países do mundo que ostentam um alto Índice de Desenvolvimento Humano (acima de 0,800); em 2007 o IDH de Cuba foi 0,838 (51° lugar). Na América Latina, em 2007, só ficou atrás do Chile (40º lugar), Uruguai (46º) e Costa Rica (48º). O maior gasto, poporcional ao PIB, do mundo com educação pertence a Cuba (8,96% do PIB), seguida da Dinamarca (8,51% do PIB) e Suécia (7,66% do PIB).

Mesmo com o embarco econômico dos grandes "libertários e democratas americanos", Cuba ostenta altos índices de saúde, educação e saneamento básico. Infelizmente muitos acham que a falta de bens de consumo, liberdade e a ditadura são causadas pelo regime de Fidel e não pelo embarco econômico dos EUA.

Vale lembrar que quando Fidel fez a Revolução Cubana, este não tinha nenhum interesse em se aliar a ex-URSS ou ainda fechar o país. A ideia era promover a melhor distribuição de renda e elevar os patamares de qualidade de vida da população cubana.

Felizmente isso ele conseguiu e Cuba hoje possui uma das populações mais alfabetizadas do mundo, uma das maiores proporções de médicos por habitantes. Sendo maior inclusive do que os EUA que tem um sistema de saúde precário onde se exclui os mais pobres. O embarco econômico ainda continua e hoje o mundo assiste atento as reformas propostas por Raul Castro.

Por último como é sempre bom terminar algo com uma música o video que deixo é uma interpretação de "Mercedes Sosa - Balderrama" e foi enviada por uma pessoa muito especial :-)




Balderrama


A orillitas del canal

Cuando llega la mañana

Sale cantando la noche

Desde lo de balderrama



Adentro puro temblor

El bombo con la baguala

Y se alborota quemando

Dele chispear la guitarra



Lucero, solito

Brote del alba

Donde iremos a parar

Si se apaga balderrama



Si uno se pone a cantar

Un cochero lo acompaña

Y en cada vaso de vino

Tiembla el lucero del alba



Zamba del amanecer

Arrullo de balderrama

Canta por la medianoche


Llora por la madrugada.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não Sei Quantas Almas Eu Tenho

Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.



Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo : "Fui eu ?"

Deus sabe, porque o escreveu.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Stomp


A percursão talvez seja o instrumento musical mais antigo de todos. O som é obtido através de impacto ou pressão... Embora batuques, maracás e atabaques sejam companheiros antigos da nossa civilização não pude deixar de me surpreender com o Stomp.

Stomp traduzindo significaria algo como "entrar fazendo barulho", "como um furacão" porém posso dizer que é muito mais do que isso. O Stomp vai em busca da musicalidade nas coisas do cotidiano como areia, sacos plásticos, vassouras, tambores, pneus, água...
Tudo pode ser melódico e orquestrado e que aos poucos com os elementos de palco, dança, cenografia, clown, teatro transforma-se numa peça do cotidiano....

Ver Stomp não é simplesmente assistir um show, é uma experiência sensitiva que vai de encontro com a sua habilidade de sentir coisas novas e descobrir novos prazeres. Mais do que isso, é uma mistura contemporânea que mostra que a humanidade ainda é capaz de se re-inventar.

A noite foi perfeita, o evento organizado pela Camila Vargas e sua equipe foi sensacional. Tudo organizado nos mínimos detalhes como prosseco na temperatura ideal, coca-cola geladíssima, foto de lembrança como brinde e uma lua tão linda que parecia cenografia....

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sexta-Feira 13





Segundo as fontes de Internet (desculpem leitores não pesquisei muito), frigatriscaidecafobia, ou seja a crença de que a Sexta-Feira 13 é um dia de azar tem origens cristãs. A sexta-feira é conhecida como um dia de azar porque Cristo foi crucificado nela. O número 13 vem do fato de que havia 13 pessoas na Santa Ceia, eram os 12 apóstolos e Cristo.

Existem outras lendas como da mitologia nórdica. Na primeira delas, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses.

Novamente um jantar com 13 pessoas e pelo jeito não deu muito certo.

Segundo outra lenda, a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem à palavra friadagr = sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, a lenda transformou Friga em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio. Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.

Aproveito  para postar alguns filmes em comemoração a data. Eu escolhi alguns filmes e o critério foi o quanto me assustou para eu lembrar. Desculpem se deixei algum de fora. Aceito sugestões nos comentários. Segue a minha lista de filmes de terror e suspense macabro na ordem que fui lembrando;

1. “Poltergeist” – Não tem como não se assustar com aquela menininha entrando na TV.

2. “O Iluminado” – Fala sério! Até hoje não consigo ver o filme sozinha...

3. “Carrie – A Estranha” - Uma verdadeira vingança sangrenta ao bullying.

4. “A Hora do Pesadelo” - Algumas pessoas tem preconceito com esse filme. Porém eu acho que o primeiro é realmente assustador. Agradeço nunca ter encontrado Freddy Krueger e até hoje sei cantar a musiquinha: 1,2 ele vem te pegar...

5. “Drácula de Bram Stocker” – Obra prima, não achei muito assustadora mas vale pelo filme.

6. “Psicose” – Quem nunca tomou banho num banheiro com cortina de plástico e se lembrou do filme?

7. “Os Pássaros” – Assim como Psicose, obra prima de Hitchcock.

8. “O Chamado” – Sinceramente? Este filme me assustou muito mais do que eu pensava que seria capaz.

9. “Terror em Amityville” - Um filme para processar o corretor de imóveis...rs

10. “O Exorcista” - Além de ser assustador, quando lançado foi um clássico nos efeitos especiais.

11. "O Massacre da Serra Elétrica" – Esse filme é aquele típico filme que vc fala “Porque eles tinham que ir lá?” – Verdadeiro clássico....

12. "Faces da Morte" 1,2 e 3 - Uma série de filme de gosto duvidoso, sim reconheço que quando era adolescente era fã destes filmes. Afinal adolescentes tem gostos estranhos... Trata-se de uma série de filmes documentais sobre a morte. Uma espécie de "Vídeos Incríveis"  que no final dá tudo errado e você assiste a uma morte documental na sua tela...sinceramente? Aja estômago!

Bom, quem quiser se assustar hoje tem uma lista suficiente de terror até a manhã de sábado.
Boa sorte, afinal nada como ver o sol nascendo depois de uma noite aterrorizante...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

"The Beatles: Remastered" - A Emoção




Talvez falar dos Beatles seja falar "mais do mesmo". Por isso, não vou discutir a importância deles... Existem pessoas mais apropriadas para isso.
Porém, uma coisa eu posso dizer; eles são atemporais...Os Beatles não envelhecem e segundo uma pesquisa na Exame é a banda antiga mais conhecida pelos jovens.
Longe das discussões, falar sobre os Beatles é falar sobre emoção e posso dizer que uma das coisas mais emocionantes é a coleção "The Beatles - Remastered".
Há quase um ano no dia 09/09/09 quando essa coleção foi lançada corri para comprá-la. Infelizmente, houve um atraso na distribuição e fiquei esperando uma semana por ela.

Quando consegui adquiri-la foi para presentear um jovem beatlemaníaco. Presentear com os Beatles é algo delicioso! Primeiro que vc conhece alguém de bom gosto....segundo que só um beatlemaniaco sabe o valor que isso tem para outro beatlemaniaco.

Porém, essa semana, finalmente pude realizar um sonho que é dar essa coleção ao maior beatlemaniaco que eu conheço: meu pai. Dar presentes relacionado aos Beatles não é novidade tanto para mim como para ele....já dei o Sgt. Pepper´s, Past Masters, biografia...

Mas posso dizer que foi emocionante ver a cara dele enquanto ouvia os cds novos. Neste momento perguntei se tinha diferença entre esta coleção e anteriores... Afinal de contas ele coleciona desde o primeiro LP dos Beatles. Foi então enquanto ele ainda estava lendo o encarte, virou para mim e disse "oo se tem".

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Amor nos Tempos do Cólera



Garcia Marquez é um dos grandes escritores de língua espanhola do século XX. Foi ganhador do prêmio Nobel de literatura por "Cem anos de Solidão".
Eu sou leitora assídua de Garcia Marquez, tanto que o nome deste blog é uma homenagem a um livro dele. Acho que junto com Saramago talvez seja o escritor que eu mais tenha lido obras. Dentre elas "Cem Anos de Solidão" ( Sim, não vou comentar este livro aqui porque ele merece um post só dele).
Porém, embora muitos considerem "Cem Anos de Solidão" a sua obra prima, sinceramente sou fã incondicional de "O Amor nos Tempos do Cólera". Acho ele atingiu a maturidade na narrativa de cem anos, porém a história de "O Amor nos tempos do Cólera" é sensacional.
Quanto tempo você esperaria por um amor? Florentino Ariza esperou 53 anos, 4 meses e 11 dias. Porém, mais do que isso, o livro retrata um renascimento de amor, sem idealismo e a morte de um amor romântico. Confuso não?
Embora Garcia Marquez seja conhecido pelo seu realismo mágico ou fantástico como costumam dizer e foi inspirado por Kafka, este livro é feito de personagens que poderiam ser reais. O amor é um amor que poderia ser real.
Vale a pena a leitura. Recentemente foi lançado a adaptação do filme. Embora este conte com Jarvier Bardem, eu achei que o filme deixou muito a desejar. Porém, assista depois que ler o livro pois essa leitura é uma das mais deliciosas que existe!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sir Paul McCartney




Quem é fã dos Beatles com certeza é um nostálgico! Sente saudades do quarteto de Liverpool e suas fantásticas criações. Porém, esse post é só sobre o Paul McCartney.
O ex-beatles (sim, sempre levará consigo este estigma) continuou sua carreira e produziu muita coisa legal. Para quem não sabe começar a procurar a dica é sempre começar pelas coletâneas e indico "All the best".

Eu deixo também um video de uma das minhas canções preferidas (não tem motivo específico) e este post vai em homenagem a aquele que foi um dos responsáveis por despertar a minha eterna curiosidade (beatlemaniacooooo) e hoje completa 51 anos....

O meu pai, pode parecer demagógico mas amo muito....e ele tem sempre razão!






Band On The Run
Wings

STUCK INSIDE THESE FOUR WALLS,
SENT INSIDE FOREVER,
NEVER SEEING NO ONE NICE AGAIN
LIKE YOU, MAMA,
YOU, MAMA,
YOU.

IF I EVER GET OUT OF HERE,
THOUGHT OF GIVING IT ALL AWAY
TO A REGISTERED CHARITY,
ALL I NEED IS A PINT A DAY.
IF I EVER GET OUT OF HERE,
IF WE EVER GET OUT OF HERE.

WELL, THE RAIN EXPLODED WITH A MIGHTY CRASH
AS WE FELL INTO THE SUN.
AND THE FIRST ONE SAID TO THE SECOND ONE THERE,
"I HOPE YOU'RE HAVING FUN!"

BAND ON THE RUN,
BAND ON THE RUN,
AND THE JAILER MAN AND SAILOR SAM,
WERE SEARCHING EV'RYONE,
FOR THE BAND ON THE RUN,
BAND ON THE RUN,
FOR THE BAND ON THE RUN,
BAND ON THE RUN.

WELL, THE UNDERTAKER DREW A HEAVY SIGH,
SEEING NO ONE ELSE HAD COME.
AND A BELL WAS RINGING IN THE VILLAGE SQUARE
FOR THE RABBITS ON THE RUN.

BAND ON THE RUN,
BAND ON THE RUN,
AND THE JAILER MAN AND SAILOR SAM,
WERE SEARCHING EV'RYONE,
FOR THE BAND ON THE RUN,
BAND ON THE RUN.

YEAH, THE BAND ON THE RUN,
THE BAND ON THE RUN,
THE BAND ON THE RUN,
BAND ON THE RUN.

WELL, THE NIGHT WAS FALLING AS THE DESERT WORLD
BEGAN TO SETTLE DOWN.
IN THE TOWN THEY'RE SEARCHING FOR US EV'RYWHERE
BUT WE NEVER WILL BE FOUND.

BAND ON THE RUN,
BAND ON THE RUN,
AND THE COUNTY JUDGE, WHO HELD A GRUDGE,
WILL SEARCH FOREVER MORE,
FOR THE BAND ON THE RUN,
FOR THE BAND ON THE RUN,
THE BAND ON THE RUN, YEAH,
THE BAND ON THE RUN, YEAH.

sábado, 31 de julho de 2010

O que será (à flor da pele)



Chico Buarque

O que será que me dá?
Que me bole por dentro, será que me dá?
Que brota à flor da pele, será que me dá?
E que me sobe às faces e me faz corar.
E que me salta aos olhos a me atraiçoar.
E que me aperta o peito e me faz confessar.
O que não tem mais jeito de dissimular.
E que nem é direito ninguém recusar.
E que me faz mendigo, me faz suplicar.
O que não tem medida, nem nunca terá?
O que não tem remédio, nem nunca terá?
O que não tem que será que será.

Que dá dentro da gente e que não devia?
Que desacata a gente, que é revelia.
Que é feito uma aguardente que não sacia.
Que é feito estar doente de uma folia.
Que nem dez mandamentos vão conciliar.
Nem todos os unguentos vão aliviar.
Nem todos os quebrantos, toda alquimia.
Que nem todos os santos, será que será?
O que não tem descanso, nem nunca terá.
O que não tem cansaço, nem nunca terá.
O que não tem limite.

O que será que me dá?
Que me queima por dentro, será que me dá?
Que me perturba o sono, será que me dá?
Que todos os tremores que vêm agitar.
Que todos os ardores me vêm atiçar.
Que todos os suores me vêm encharcar.
Que todos os meus órgãos estão a clamar.
E uma aflição medonha me faz implorar.
O que não tem vergonha, nem nunca terá.
O que não tem governo, nem nunca terá.
O que não tem juízo...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

The Egg




Acho que uma das melhores coisas da vida está no prazer da descoberta...Quando a descoberta acontece numa hora inesperada...Melhor ainda!!

Esse é o sentimento que tenho pela Banda que vou falar... "The Egg". Eu conheci essa banda de ingleses de Oxford em 2007. Num festival de música eletrônica numa noite fria de maio.

Formada nos final dos anos 90, a banda é bem conhecida dos festivais pelo mundo como por exemplo o "Glastonbury", "The Big Chill" e "Montreux Jazz"...

O caras já lançaram 3 álbuns "Albumen", "Travelator" e o mais intimista, reflexivo e psicodélico "Forwards"...

Quando ouvi pela primeira vez não pude deixar de ser contagiada pela mistura como eles se auto-definem "live house, rocktronic, funk, and ambient influenced dance music, using eletronic and live instrumentals, video triggering, samples and live and vocoded vocals".

Sim, o som é contagiante e a banda tem como influências os também ingleses "Pink & Floyd" e outras bandas bem conhecidas de pelos amantes de música eletrônica como "Underworld", "New Order"....


Mas antes que os mais desavisados achem que trata-se de uma banda de música eletrônica com BPM altos....Vou logo dizendo que o "The Egg" passa bem longe deste esteriótipo. Embora tenham músicas remixadas como "Walking Away" por David Guetta e "Nothing"por Cicada que seguem essa linha...

Uma das minhas preferidas é "Wall" do Álbum Forwards que coloco abaixo a letra e a música mas quem quiser pode visitar o MySpace deles e conhecer outras...

Que seja uma boa surpresa também assim como foi para mim...








Run around, run around.

Never looking, never look, I fall.

Stepping on, stepping on

Left in night, aero tights and awe.

Let me go, let me know. Well, it’s easy to show.

That you wanted to go.

But you won’t let me know.

And I wanted to go, but I wanted to let you know.


Let me go, let me know.

Well it’s easy to show.

That you didn’t even know.

That I wanted to go.

But you know that ,

I wanted to let you go your way.


Watching out, looking out.

Always take me, always take me out.

Running through, afternoon.

Far away, I fall around with you.


Let me go, let me know.

Well, it’s easy to show.

That you wanted to go.

But you won’t let me know.

And I wanted to go.

But I wanted to let you know.

Let me go, let me know.

Well it’s easy to show.


That you didn’t even know.

That I wanted to go.

But you know that I wanted To let you go… (Repeat until fade)


Let me go, let me know.

Well it’s easy to show.

That you didn’t even know.


That I wanted to go.

But you know that I wanted

To let you go your way.


Let me go, let me know.

Well, it’s easy to show.

That you wanted to go.


But you won’t let me know.

And I wanted to go.

But I wanted to let you know.

domingo, 18 de julho de 2010

Nós que aqui estamos por vós esperamos

(Marcelo Massagão, 1998).



Como seria uma narrativa sobre o Século XX? "Nós que aqui estamos por vós esperamos" narra com imagens, recortes, frases e música. A história do breve século XX como Eric Hobsbawm em "A Era dos Extremos " o definiu passamos por um século que tiveram duas guerras mundias, bomba atômica, socialismo, corrida espacial, crash da bolsa, feminismo, dentro outros acontecimentos...


O filme é um recorte destes acontecimentos imagens deste século com citações célebres e frases reflexivas. Com pesonagens desconhecidos e conhecidos como Gandhi, Lennon, Martin Luter King, Hitler, Leary, Stalin, Munch, Duchamp, Pinochet, Kafta entre outros..

Por fim, podemos dançar com os bailarinos Fred Astaire e Garrincha (sim, pq não?) e ver e refletir sobre a brevidade da vida e da nossa história.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

As Sombras de Goya


(Saturno devorando um dos seus filhos, 1823, Oil on Canvas)


Para quem gosta de cinema, arte e história não pode deixar de assistir "As Sombras de Goya" (Goya´s Ghosts, Millos Forman, 2006). O filme utiliza uma história fictícia junto com fatos históricos e muitas obras de arte.

Sinopse: Inés (Natalie Portman), a jovem modelo e musa do pintor, é presa sob a falsa acusação de heresia. Nem as intervenções do influente Frei Lorenzo (Javier Bardem), também retratado por Goya (Stellan Skarsgard), conseguem evitar que ela seja brutalmente torturada nos porões da Igreja.

O filme inicia com Francisco José de Goya y Lucientes (1746 - 1828) em torno de 1786 quando foi nomeado pintor do rei Carlos III. Nesta fase, Goya diferente que muitos pintores já alcançava prestígio e parelamente o tribunal do Santo Ofício endurecia a perseguição devido a Revolução Francesa e seus ideias iluministas que estavam espalhando pela Europa.

A ascensão de Napoleão Bonaparte na França e em oposição o rei absolutista Carlos IV e seu filho Fernando, o Príncipe das Astúrias é retratada no filme. Os franceses obrigaram a renúncia dos reis espanhóis e entronaram José I, chamado de O Rei Intruso. Estes acontecimentos contribuiram para a explosão uma revolução anárquica em Dois de Maio de 1808 e culmiram na Guerra da Independência Espanhola que durou até 1814, quando os franceses recuaram definitivamente e Fernando VII, convertido a uma posição ultra-reacionária, então voltaria ao trono em Madri para impor um longo reinado (1814-1833).

As obras de Goya com o "Três de maio", que representa uma cena de fuzilamento de composição insólita. "Sabá das bruxas" e "Saturno" e sua série de gravuras "Os Desastres da Guerra". Foram influenciadas e inspiradas nos tempos de guerra e muitos consideram o ápice da carreira e manifestam uma visão sombria da realidade.


Goya foi um dos principais expoentes da pintura espanhola juntamente com Velásquez e El Greco. O filme retrata várias obras de Goya como “Saturno devorando um dos seus filhos”, a série “Os desastres da Guerra”, “A Rainha Maria Luisa”, "O Três de Maio" e outras como “As Meninas’ de Velásquez e “O Jardim das Delícias Terrenas” de Bosch.


Vale a pena conferir o filme e o Museo Del Prado onde estão expostas a maioria das obras.


"A Rainha Maria Luisa" de Goya

"O Dois de Maio" de Goya

"As Meninas" de Velasquez

O Jardim das Delícias Terrenas" de Bosch

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mary and Max



(Australia, 2009, Direção Adam Elliot)

Embora essa animação tenha classificação livre a sua temática está mais para a compreensão, ou ainda questionamento, de adultos do que crianças. Embora o mundo das animações tenha deixado de ser uma forma de contar histórias para crianças e tenha servido para o entreterimento de adultos também (Como Shrek, A Noiva Cadáver, Wall-E), Mary and Max vai além...
Baseado em fatos reais, o filme narra a história da amizade por cartas de Mary, uma criança australiana, solitária com mãe alcoólatra e depressiva e Max um adulto, nova-iorquino de 44 anos, obeso, ateu e com síndrome de Asperger. Falando assim, poderia ser um grande drama, mas o filme consegue passar por assuntos como solidão, amizades, alcoolismo, homossexualidade, doenças mentais e até ateísmo com uma boa dose de humor. Tudo isso com bonecos de massinha em Stop Motion.

Pois é, vale a pena dar uma conferida e quem tiver crianças prepare-se pois muitos "porques" que são costumeiros da infância podem vir antes do esperado...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago



O mundo perde hoje, um dos maiores escritores da literatura mundial. Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, em Azinhaga, uma aldeia ao sul de Portugal. Filho de agricultores sem terra que imigraram para Lisboa, abandonou a escola aos 12 anos para receber formação de serralheiro, um ofício que exerceria durante dois anos.

Autodidata, antes de se dedicar exclusivamente à literatura trabalhou ainda como mecânico, desenhista industrial e gerente de produção em uma editora.

Eu conheci Saramago há dez anos, quando li Memorial do Convento (obra que coincidentemente estou a 10 páginas de terminar de reler). O livro conta a história da construção do convento de Mafra no Sec. XVIII. Seus personagens são intrigantes, Baltasar Sete Sóis, Blimunda que é capaz de enxergar dentro das pessoas e capturar suas vontades, o Padre Bartolomeu que queria voar com a sua passarola. Com passagens históricas e fictícias, Memorial do Convento foi meu ponto de partida ao Universo Saramago.

"Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento de Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez." Trecho do Livro

O segundo livro do Saramago foi "A Jangada de Pedra". Nesta obra Saramago narra a separação fictícea da Península Ibérica do restante continente europeu. Foi neste livro que comecei a entender o estilo Saramago de fazer críticas a sociedade.

O terceiro livro "A Caverna" Saramago recorre ao mito de Platão para discutir as mudanças econômicas. Comunista, faz críticas ácidas ao modelo econômico.

Porém é "Ensaio Sobre a Cegueira" sua obra prima. O livro faz parte de uma trilogia sobre o ser humano. Nada é tão inquietante, desesperador do que a cegueira branca que assola ao mundo. O livro foi Prêmio Nobel em 1998, fazendo de Saramago o primeiro escritor de língua portuguesa a receber tal prêmio. O "Ensaio Sobre a Cegueira" é uma obra magnífica, perturbadora, onde vivemos a angústia de sermos todos cegos.

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." (Saramago).

O livro foi adaptado com o mesmo nome para o cinema por Fernando Meirelles, numa das melhores adaptações que já vi que um livro. Infos em Blindness

O vídeo do Youtube é a reação de Saramago ao ver pela primeira vez o filme.


Trecho do livro: "Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma, e se eles se perderam”

Após "Ensaio sobre a Cegueira", fiquei algum tempo sem conseguir ler algo do Saramago. Seja pela intensidade, seja por ter medo de se decepcionar e não conseguir ler mais nada tão intenso. Porém, alguns anos depois eu li "As intermitências da Morte" e pude me apaixonar pela morte que se apaixona em vida? Sim sim...

Mulher que enxerga por dentro, homem que queria voar, cegueira, a vida e a morte. Tudo foi um tema para Saramago, uma crítica...

Hoje eu termino mais um livro deste escritor, mais triste do que normalmente termino um livro, pois termino com a certeza de que a literatura ficará mais sem graça e o mundo um lugar mais "cego" de se viver...

"Cada vez mais sós

Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro."

Saramago “Cada vez mais sós”, in Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216

domingo, 13 de junho de 2010

All The Single Lady



Hoje eu passei o dia dos namorados na "entressafra do amor". Mas antes que alguém fique com pena de mim, saiba que foi um dia dos namorados ótimo! Não sendo injusta com o passado ou coisa assim...

A "entressafra do amor" é uma fase que as pessoas deviam aprender a apreciar mais. É quando você se encontra sozinha sem ter alguém para pensar que sobra um tempinho extra para pensar em si...

Na entressafra do amor, descobrimos nossos gostos, nossas manias, que normalmente acabam ficando camufladas com as manias de alguém...

Gastamos mais tempo com os amigos, gastamos mais com a gente...Gastamos mais tempo gastando...

Muitas mulheres tem medo de olhar no espelho e dizer "Sou solteira!". Como se isso tivesse algo de errado. As mulheres precisam aproveitar mais o fato de serem solteiras...

Na entressafra do amor, vc tem mais tempo para ficar horas no telefone com as suas amigas, assistir aqueles filmes que homem nenhum gosta...

Você pode sair mais, conhecer mais gente, mais lugares...

Palavras de um amigo "Para cada ano que você passa solteiro é equivalente a dois namorando".

Na entressafra do amor, que vc descobre do que realmente gosta, ou não...

Enfim, é na entressafra do amor que você estará pronto para descobrir...Um Novo AMOR!!

Por último um texto do John Lennon que vale à pena ler...

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Henry Miller



No dia 7 de Junho de 1980, o mundo perdia um dos seus maiores e mais polêmicos escritores. Henry Miller não foi só um escritor foi um "subversivo da literatura". A sua obra é difícil de definir....talvez fique entre o fantástico e o desnecessário.

O meu primeiro contato com Henry e sua obra foi através do filme "Henry e June" (USA, 1990). O filme narra o encontro de Anais Nin (Maria Medeiros) com June (Uma Thurman) e Henry Miller (Fred Ward). Ambientado em Paris, nos anos 30s, mostra Henry num triângulo amoroso e quando escrevia e lançava 'O Trópico de Câncer".

E foi o "Trópico de Câncer" a primeira obra que li de Miller. Quase biográfico, embora este considerava que não. "Trópico de Câncer" te transporta para Paris, durante o entre guerras, quando a cidade foi o destino de artistas de todos os tipos e centro cultural e vanguardista da Europa.

Mais do que isso, Henry te faz caminhar por hotéis e pensões baratas, passar fome, viver de favores, transar c/ prostitutas, conviver e se embebedar com outros artistas, intelectuais tão expatriados como ele.

Henry não te pergunta se você quer tanto, quando você percebe está lá a "fornicar com os personagens". Nada em Henry Miller é pouco, não é ousado ou não é polêmico.

A obra de Henry hoje é considerada "erótica". Porém, a minha opinião leiga a considera pornográfica. Hoje a nossa noção de pornografia é mais ampla. Mas se analisarmos o contexto da época que foi escrita...

Embora tenha ficado conhecido pela sua literatura erótica, Miller escreveu obras que fogem da temática sexual como "Big Sur e As Laranjas de Hieronimus Bosch", "Colosso de Marússia", entre outras...

Passaram se 30 anos que Henry Miller, deixou o mundo. Porém, este vive nos seus "Trópicos" e na sua intrigante "Crucificação Encarnada".