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segunda-feira, 23 de março de 2015

Como vai o seu alemão?




Depois de  5 meses na Alemanha, consegui chegar no nível intermediário do curso. Mas a pergunta é: Com 5 meses você já fala alemão?


A resposta é: não.
Quando fui morar nos EUA c/ 5 meses já falava bem inglês e estava no curso avançado. Já sonhava, pensava e falava comigo mesmo em inglês. Mas por que alemão não?
Por isso, resolvi fazer um post listando algumas das dificuldades com a língua de Goethe e porque no fundo alemão é difícil mesmo. Vamos lá! 

1. As palavras em alemão tem 3 gêneros: Masculino, feminino e neutro!

Tudo seria lindo se fosse igual ao português que a maioria você consegue deduzir pelo final, por exemplo, se termina em O é masculino e se termina em A é feminino (lembrando que não temos o neutro). Mas não!! E não adianta aplicar a regra "em português é assim...logo aqui também... Não esqueça, apague as palavras em português da sua memória!! Aqui o sol é feminino (Die Sonne) e a lua é masculino (Der Mond) e livro é neutro (Das Buch).

Para aumentar a complexidade existe o plural que pode ser adicionando um "umlaut" ("), pode ser um N, R ou simplesmente não tem plural. O plural de "Das Buch" é "Die Bücher".
Então a cada nova palavra que você aprende precisa aprender o gênero e o plural.

2. Os verbos podem ser de várias maneiras: trennbar (abmachen: fica Ich mache lalalalalalala ab) você separa ele na metade, outros que são irregulares (ok em português tb), se são reflexivos, se pedem preposições específicas, se pedem dativo ou acusativo...e pode ser quase tudo ao mesmo tempo (sich freuen auf+ akk/ über+ akk). 


Agora para piorar existem frases que o verbo muda de lugar e vai na frente do sujeito e falaríamos o equivalente em português a "Hoje, compro eu um livro" (Heute, kaufe ich ein Buch).

3. A regência da frase,  sendo que existem 4 possíveis (Nominativo, Acusativo, Dativo e Genitivo).

Agora você precisa saber todas essas regras pois elas estão relacionadas para fazer uma simples frase.

Gênero> Regência> Preposições> Verbo... e lógico ter vocabulário.

Sendo assim, se lá no começo você achou que o livro (Buch) era masculino ou estava no singular e começou errada a construção sua frase sai toda errada.


4. O vocabulário é diferente e complexo. Sem essa de achar que alemão é parecido com inglês! Lógico que existem inúmeras palavras mas outras você não consegue nem fazer ideia e sem contar os falsos iguais. Por exemplo: "Gift" em alemão é veneno e não presente, saída de emergência é NOT e "Dick" é gordo.

Ainda existem as famosas palavras gigantes, isso acontece porque em alemão eles também vão juntando várias palavras numa mesma e acabamos encontrando coisas como: Donaudampfschifffahrtsgesellschaftskapitän



Para piorar muitos alemães ou eu mesma não tenho paciência e acabo "mudando" p/ o inglês. Isso é um ponto importante. Ao mesmo tempo que saber mais de uma língua facilita para entender as regras gramaticais de outras, saber inglês tem horas que atrapalha. Às vezes quando a frase sai toda errada, ao invés de tentar de novo eu ou meu interlocutor já passamos p/ o inglês e depois eu lembro o que queria dizer exatamente em alemão mas já foi... 



Mas vale a pena aprender alemão? SIM!!!


A língua alemã é muito rica e a cultura idem. É indiscutível a quantidade de cultura criada nos países de língua alemã (Suiça, Austria e Alemanha). Sem pensar muito já lembramos de uma série de personalidades que influenciaram a nossa cultura: Beethoven, Freud, Marx, Mozart, Hegel, Nietzsche, Kant.....A lista é enorme! A Alemanha é 3º. país com maior número de ganhadores de prêmios Nobel e saber alemão ajuda  entender melhor essa cultura. A língua é uma das principais expressões de uma cultura e como ela é estruturada também explica muito sobre essa sociedade.

Sendo assim, eu adoro aprender alemão! 

Mesmo com essa pequena coleção de livros em casa, declinações erradas e tudo mais. 




Arquivo pessoal. 

Mas quando consigo ler um texto, entender o jornal ou simplesmente me comunicar em alemão eu me sinto mais confiante e empolgada para a jornada de falar fluentemente... No final até sinto que estou ficando até mais inteligente! 




Gifs: http://comoeumesintoquando.tumblr.com/

domingo, 25 de janeiro de 2015

É preciso ser preciso...

Uma das coisas que mais chamaram a minha atenção no primeiro momento é a obsessão alemã pela precisão. Tudo tem uma exatidão relativamente exagerada.
Enquanto os britânicos podem ser conhecidos pela sua pontualidade, talvez os alemães pela sua exatidão.
Por isso não é difícil de imaginar a grande dificuldade que eles tem em aceitar os atrasos ou indefinição. Pois é, palavras de casais assim como eu brasileiros-alemães. Com isso, temos vivido situações no mínimo engraçadas e aos poucos vamos ficando nem lá e nem cá.
Mas o fato que para os alemães tudo tem que ser bem explicado, identificado e falado.  Os alemães tem uma linguagem corporal diferente do brasileiro. Tudo é olho no olho e sem contar que a língua alemã te dá a possibilidade de falar E-X-A-T-A-M-E-N-T-E. Pois é, são séculos e séculos de linguagem e cultura que faz essa sociedade peculiar mas interessantíssima. 

Aos poucos irei escrevendo algumas das minhas impressões mais aqui vão três situações reais vividas por essa pessoinha meio perdida. 

Situação 1




Namorado alemão pergunta sobre um fato corriqueiro e quer sua opinião (Sim ou Não) e você, depois de pensar um pouco responde com:
- Ah talvez. 
Ele olha perplexo ainda sem entender a profundidade existencial que você imputa no talvez. 

Situação 2 

A inexistência de pizza de dois sabores. 
Pensa naquela redonda meia calabresa ou meia muçarela? Pois é, aqui ela não existe. Já tive diversas discussões engraçadas e sempre o que me perguntam é:
-Qual o motivo da gente querer metade de duas coisas e não poder se decidir por uma?
A solução encontrada é pedir duas pizzas diferentes e cada um fica com uma metade.


Situação 3

Para chegar na escola eu preciso pegar um ônibus e um trem. 
Porém, se eu pegar o trem 1, tenho que sair de casa 30 min antes do trem 2 e chegaria na escola 20 min antes da aula.
O trem 2, me daria uma vantagem de 30min,  mas eu chegaria 3 minutos "atrasada". 
Sim, a aula começa 8h15 e chegaria nela 8h18. 
Portanto, na cabeça alemã é impensável eu cogitar a ideia de pegar o trem 2 e chegar atrasada. 
Para a informação de vocês estou pegando o trem 2 diariamente. 


Situação 4

Depois de quase três meses de precisão germânica eu perdi o ônibus e consequentemente iria perder o trem. Eu estava gripada e com febre e o próximo ônibus é uma hora mais tarde. Quando eu perdi eu disse que iria a pé até o centro (20 a 30 min) de caminhada. Ele me olhou perplexo com aquela cara de "Para que começar um processo tardiamente sabendo que já está errado?"


Uma coisa que acho engraçada aqui é a necessidade de tudo ser certificado...mas isso ficará p/ um post inteiro sobre a obsessão germânica por auditorias...


sábado, 12 de outubro de 2013

Berlin



About Berlin and electronic and underground music scenario. Why Berlin has become one those most creative cities of the world. Berlin is my next travel destination. 

For the third edition of Real Scenes, RA and Bench go to one of the most special places for electronic music in the world: Berlin. When the Berlin Wall came down in 1989, techno became the underground soundtrack to the reunion between East and West. In recent years, it's become an international destination for ravers—a cheap place to party with clubs that are renowned throughout the world.
Techno has become a business in the meantime. Yet Berlin still maintains a credibility that other cities lack. To understand why, RA and Bench went to the German capital eager to find out about its unique history and the reasons behind its continued relevance.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Max Ernest - Uma Semana de Bondade



O legal de morar em Sampa é que sempre tem algo legal para se ver e fazer. O problema é conseguir tempo para aproveitar tudo. Quando você mora a uma quadra do MASP, o mínimo que se espera é que você visite as exposições itinerantes.

Pois é, fazia um mês que não passava em frente ao MASP e quando passei vi que está rolando uma exposição do Max Ernest.

Quem me conhece, sabe que eu tenho uma predileção pelo Surrealismo (sinceramente? Não sei pq!).

Max Ernst nasceu na Alemanha no dia 2 de abril de 1891. Conheceu o Surrealismo por Jean Arp.

Porém, foi convocado para lutar na I Guerra Mundial.

Após o término da guerra, mudou-se para França em 1922. Em Paris, quando junta-se aos surrealistas e torna-se amigo de André Breton (Considerado por muitos como o Papa do Surrealismo).

Eu ainda não fui a exposição do Masp, quando eu for prometo expandir este post. Mas li o seguinte.

Do site do Universia

Max Ernst - Uma semana de bondade, com a coleção completa do Gênesis retratado pelo artista. As 184 obras estavam guardadas há mais de 70 anos pelo colecionador francês Daniel Fillipacchi. As imagens fazem crítica cáustica e surrealista às convenções sociais da Europa do período entre guerras.

Entre as obras estão cinco jamais expostas ao público. Sob alegação de blasfêmia, elas não participaram da única exposição realizada com as colagens, em 1936 em Madri, na Biblioteca Nacional, atual sede do Museu Nacional de Arte Moderna.

A coleção se divide de acordo com os dias da semana, tendo dado origem a cinco livros lançados em 1934. Nas colagens Ernst afastou-se da concepção bíblica, criando seu próprio Gênesis: o Domingo surrealista é recheado de orgias, violência, blasfêmia e morte, primeiro contraponto significativo ao dia de descanso.

Já a Segunda-feira é composta por 27 trabalhos que têm influência do elemento água, que também serve para batizar os trabalhos. Esse conjunto de obras procura descrever a insignificância do poder das autoridades diante da força da natureza. Assim, águas invadem e arrasam toda a cidade de Paris, questionando os valores exercidos pela burguesia da época.

A Terça-feira explora a ironia a partir de 45 obras de homens com asas de dragões e serpentes presentes em situações da rotina da classe privilegiada. Essa coleção é chamada A corte do dragão, que tem como elemento o fogo. Já o caráter mítico de Édipo é abordado sob o elemento sangue nas 29 colagens de Quarta-feira, batizada com o nome do mito grego.

A Quinta-feira é subdividida em O riso do galo, que conta com 16 colagens, e A Ilha de Páscoa, formada por outras dez. Ambas sob o elemento escuridão, abordam as diferentes formas de poder. Na primeira, o galo gaulês, símbolo do estado francês, é presente em todas as imagens, inclusive como parte do corpo dos protagonistas da cena. Em A Ilha de Páscoa, situações de intimidade são exibidas sempre com um dos personagens usando máscaras.

A Sexta-feira obedece ao elemento visão e tem imagens emblemáticas que abordam o interior, a estrutura do humano e do ambiente que o cerca: corvos, caveiras e uma série de símbolos são utilizados nas três divisões. O Sábado, último dia da semana, batizado A chave das canções, referencia ao elemento desconhecido, em que toda a preocupação com a realidade é abolida


Max Ernst - Uma semana de bondade
Local: MASP(Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)
Data: de 23 de abril a 18 de julho
Horário: de terça a domingo e feriados, das 11h às 18h. Às quintas das 11h às 20h
Ingressos: R$ 15. Estudantes: R$ 7. Gratuito até 10 anos e acima de 60 anos. Às terças-feiras a entrada é gratuita para todos.

Endereço: Av. Paulista, 1578
Telefone: 11-3251-5644
Site: www.masp.art.br
Twitter: @maspmuseu

sábado, 29 de maio de 2010

Lemon Tree



O filme mostra uma viúva palestina de meia idade, Salma Zidane (Hiam Abbas) que mora na região da Cisjordânia, fazendo compotas de limões retirados do seu pomar que é herança do seu pai.
Porém, um dia muda-se para a casa ao lado Israel Navon (Doron Tavory), que é o Ministro da Defesa de Israel.
Após isso, o seu pomar passa a ser considerado uma "ameaça terrorista" e Salma recebe a ordem de cortá-los. Salma não aceita a exigência e dá início a uma batalha judicial pelo direito de manter seus limõeiros que são mais que o seu sustento e sim parte de suas raízes culturais.
Através do simbolismo de Salma, uma mulher sozinha lutando contra o poderoso Estado de Israel, vemos o descabido conflito cultural, racial e bélico que acontece entre israelenses e palestinos.

Lemon Tree conta com atuações fantásticas e uma história que mergulha profundamente no cotidiano do conflito.

Após ver o filme fui em busca de mais informações sobre ele. O filme foi produzido por Eran Riklin e foi Prêmio de Público no Festival de Berlim. Além de diversos prêmios em vários festivais para a atuação brilhante de Hiam Abbas e foi produzido por uma união entre produtores franceses, israelitas e alemães.

O filme vale a pena desde o primeiro minuto e mesmo depois do final, que é ótimo, não nos abandona, seja pelos questionamentos que ele levanta ou pelas ótimas atuações.