sábado, 31 de julho de 2010
O que será (à flor da pele)
Chico Buarque
O que será que me dá?
Que me bole por dentro, será que me dá?
Que brota à flor da pele, será que me dá?
E que me sobe às faces e me faz corar.
E que me salta aos olhos a me atraiçoar.
E que me aperta o peito e me faz confessar.
O que não tem mais jeito de dissimular.
E que nem é direito ninguém recusar.
E que me faz mendigo, me faz suplicar.
O que não tem medida, nem nunca terá?
O que não tem remédio, nem nunca terá?
O que não tem que será que será.
Que dá dentro da gente e que não devia?
Que desacata a gente, que é revelia.
Que é feito uma aguardente que não sacia.
Que é feito estar doente de uma folia.
Que nem dez mandamentos vão conciliar.
Nem todos os unguentos vão aliviar.
Nem todos os quebrantos, toda alquimia.
Que nem todos os santos, será que será?
O que não tem descanso, nem nunca terá.
O que não tem cansaço, nem nunca terá.
O que não tem limite.
O que será que me dá?
Que me queima por dentro, será que me dá?
Que me perturba o sono, será que me dá?
Que todos os tremores que vêm agitar.
Que todos os ardores me vêm atiçar.
Que todos os suores me vêm encharcar.
Que todos os meus órgãos estão a clamar.
E uma aflição medonha me faz implorar.
O que não tem vergonha, nem nunca terá.
O que não tem governo, nem nunca terá.
O que não tem juízo...
sexta-feira, 23 de julho de 2010
The Egg
Acho que uma das melhores coisas da vida está no prazer da descoberta...Quando a descoberta acontece numa hora inesperada...Melhor ainda!!
Esse é o sentimento que tenho pela Banda que vou falar... "The Egg". Eu conheci essa banda de ingleses de Oxford em 2007. Num festival de música eletrônica numa noite fria de maio.
Formada nos final dos anos 90, a banda é bem conhecida dos festivais pelo mundo como por exemplo o "Glastonbury", "The Big Chill" e "Montreux Jazz"...
O caras já lançaram 3 álbuns "Albumen", "Travelator" e o mais intimista, reflexivo e psicodélico "Forwards"...
Quando ouvi pela primeira vez não pude deixar de ser contagiada pela mistura como eles se auto-definem "live house, rocktronic, funk, and ambient influenced dance music, using eletronic and live instrumentals, video triggering, samples and live and vocoded vocals".
Sim, o som é contagiante e a banda tem como influências os também ingleses "Pink & Floyd" e outras bandas bem conhecidas de pelos amantes de música eletrônica como "Underworld", "New Order"....
Mas antes que os mais desavisados achem que trata-se de uma banda de música eletrônica com BPM altos....Vou logo dizendo que o "The Egg" passa bem longe deste esteriótipo. Embora tenham músicas remixadas como "Walking Away" por David Guetta e "Nothing"por Cicada que seguem essa linha...
Uma das minhas preferidas é "Wall" do Álbum Forwards que coloco abaixo a letra e a música mas quem quiser pode visitar o MySpace deles e conhecer outras...
Que seja uma boa surpresa também assim como foi para mim...
Run around, run around.
Never looking, never look, I fall.
Stepping on, stepping on
Left in night, aero tights and awe.
Let me go, let me know. Well, it’s easy to show.
That you wanted to go.
But you won’t let me know.
And I wanted to go, but I wanted to let you know.
Let me go, let me know.
Well it’s easy to show.
That you didn’t even know.
That I wanted to go.
But you know that ,
I wanted to let you go your way.
Watching out, looking out.
Always take me, always take me out.
Running through, afternoon.
Far away, I fall around with you.
Let me go, let me know.
Well, it’s easy to show.
That you wanted to go.
But you won’t let me know.
And I wanted to go.
But I wanted to let you know.
Let me go, let me know.
Well it’s easy to show.
That you didn’t even know.
That I wanted to go.
But you know that I wanted To let you go… (Repeat until fade)
Let me go, let me know.
Well it’s easy to show.
That you didn’t even know.
That I wanted to go.
But you know that I wanted
To let you go your way.
Let me go, let me know.
Well, it’s easy to show.
That you wanted to go.
But you won’t let me know.
And I wanted to go.
But I wanted to let you know.
domingo, 18 de julho de 2010
Nós que aqui estamos por vós esperamos
(Marcelo Massagão, 1998).Como seria uma narrativa sobre o Século XX? "Nós que aqui estamos por vós esperamos" narra com imagens, recortes, frases e música. A história do breve século XX como Eric Hobsbawm em "A Era dos Extremos " o definiu passamos por um século que tiveram duas guerras mundias, bomba atômica, socialismo, corrida espacial, crash da bolsa, feminismo, dentro outros acontecimentos...
O filme é um recorte destes acontecimentos imagens deste século com citações célebres e frases reflexivas. Com pesonagens desconhecidos e conhecidos como Gandhi, Lennon, Martin Luter King, Hitler, Leary, Stalin, Munch, Duchamp, Pinochet, Kafta entre outros..
Por fim, podemos dançar com os bailarinos Fred Astaire e Garrincha (sim, pq não?) e ver e refletir sobre a brevidade da vida e da nossa história.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
As Sombras de Goya

(Saturno devorando um dos seus filhos, 1823, Oil on Canvas)
Para quem gosta de cinema, arte e história não pode deixar de assistir "As Sombras de Goya" (Goya´s Ghosts, Millos Forman, 2006). O filme utiliza uma história fictícia junto com fatos históricos e muitas obras de arte.
Sinopse: Inés (Natalie Portman), a jovem modelo e musa do pintor, é presa sob a falsa acusação de heresia. Nem as intervenções do influente Frei Lorenzo (Javier Bardem), também retratado por Goya (Stellan Skarsgard), conseguem evitar que ela seja brutalmente torturada nos porões da Igreja.
O filme inicia com Francisco José de Goya y Lucientes (1746 - 1828) em torno de 1786 quando foi nomeado pintor do rei Carlos III. Nesta fase, Goya diferente que muitos pintores já alcançava prestígio e parelamente o tribunal do Santo Ofício endurecia a perseguição devido a Revolução Francesa e seus ideias iluministas que estavam espalhando pela Europa.
A ascensão de Napoleão Bonaparte na França e em oposição o rei absolutista Carlos IV e seu filho Fernando, o Príncipe das Astúrias é retratada no filme. Os franceses obrigaram a renúncia dos reis espanhóis e entronaram José I, chamado de O Rei Intruso. Estes acontecimentos contribuiram para a explosão uma revolução anárquica em Dois de Maio de 1808 e culmiram na Guerra da Independência Espanhola que durou até 1814, quando os franceses recuaram definitivamente e Fernando VII, convertido a uma posição ultra-reacionária, então voltaria ao trono em Madri para impor um longo reinado (1814-1833).
As obras de Goya com o "Três de maio", que representa uma cena de fuzilamento de composição insólita. "Sabá das bruxas" e "Saturno" e sua série de gravuras "Os Desastres da Guerra". Foram influenciadas e inspiradas nos tempos de guerra e muitos consideram o ápice da carreira e manifestam uma visão sombria da realidade.
Goya foi um dos principais expoentes da pintura espanhola juntamente com Velásquez e El Greco. O filme retrata várias obras de Goya como “Saturno devorando um dos seus filhos”, a série “Os desastres da Guerra”, “A Rainha Maria Luisa”, "O Três de Maio" e outras como “As Meninas’ de Velásquez e “O Jardim das Delícias Terrenas” de Bosch.
Vale a pena conferir o filme e o Museo Del Prado onde estão expostas a maioria das obras.
"A Rainha Maria Luisa" de Goya 
"O Dois de Maio" de Goya

"As Meninas" de Velasquez

O Jardim das Delícias Terrenas" de Bosch
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Mary and Max

(Australia, 2009, Direção Adam Elliot)
Embora essa animação tenha classificação livre a sua temática está mais para a compreensão, ou ainda questionamento, de adultos do que crianças. Embora o mundo das animações tenha deixado de ser uma forma de contar histórias para crianças e tenha servido para o entreterimento de adultos também (Como Shrek, A Noiva Cadáver, Wall-E), Mary and Max vai além...
Baseado em fatos reais, o filme narra a história da amizade por cartas de Mary, uma criança australiana, solitária com mãe alcoólatra e depressiva e Max um adulto, nova-iorquino de 44 anos, obeso, ateu e com síndrome de Asperger. Falando assim, poderia ser um grande drama, mas o filme consegue passar por assuntos como solidão, amizades, alcoolismo, homossexualidade, doenças mentais e até ateísmo com uma boa dose de humor. Tudo isso com bonecos de massinha em Stop Motion.
Pois é, vale a pena dar uma conferida e quem tiver crianças prepare-se pois muitos "porques" que são costumeiros da infância podem vir antes do esperado...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Saramago

O mundo perde hoje, um dos maiores escritores da literatura mundial. Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, em Azinhaga, uma aldeia ao sul de Portugal. Filho de agricultores sem terra que imigraram para Lisboa, abandonou a escola aos 12 anos para receber formação de serralheiro, um ofício que exerceria durante dois anos.
Autodidata, antes de se dedicar exclusivamente à literatura trabalhou ainda como mecânico, desenhista industrial e gerente de produção em uma editora.
Eu conheci Saramago há dez anos, quando li Memorial do Convento (obra que coincidentemente estou a 10 páginas de terminar de reler). O livro conta a história da construção do convento de Mafra no Sec. XVIII. Seus personagens são intrigantes, Baltasar Sete Sóis, Blimunda que é capaz de enxergar dentro das pessoas e capturar suas vontades, o Padre Bartolomeu que queria voar com a sua passarola. Com passagens históricas e fictícias, Memorial do Convento foi meu ponto de partida ao Universo Saramago.
"Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento de Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez." Trecho do Livro
O segundo livro do Saramago foi "A Jangada de Pedra". Nesta obra Saramago narra a separação fictícea da Península Ibérica do restante continente europeu. Foi neste livro que comecei a entender o estilo Saramago de fazer críticas a sociedade.
O terceiro livro "A Caverna" Saramago recorre ao mito de Platão para discutir as mudanças econômicas. Comunista, faz críticas ácidas ao modelo econômico.
Porém é "Ensaio Sobre a Cegueira" sua obra prima. O livro faz parte de uma trilogia sobre o ser humano. Nada é tão inquietante, desesperador do que a cegueira branca que assola ao mundo. O livro foi Prêmio Nobel em 1998, fazendo de Saramago o primeiro escritor de língua portuguesa a receber tal prêmio. O "Ensaio Sobre a Cegueira" é uma obra magnífica, perturbadora, onde vivemos a angústia de sermos todos cegos.
"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." (Saramago).
O livro foi adaptado com o mesmo nome para o cinema por Fernando Meirelles, numa das melhores adaptações que já vi que um livro. Infos em Blindness
O vídeo do Youtube é a reação de Saramago ao ver pela primeira vez o filme.
Trecho do livro: "Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma, e se eles se perderam”
Após "Ensaio sobre a Cegueira", fiquei algum tempo sem conseguir ler algo do Saramago. Seja pela intensidade, seja por ter medo de se decepcionar e não conseguir ler mais nada tão intenso. Porém, alguns anos depois eu li "As intermitências da Morte" e pude me apaixonar pela morte que se apaixona em vida? Sim sim...
Mulher que enxerga por dentro, homem que queria voar, cegueira, a vida e a morte. Tudo foi um tema para Saramago, uma crítica...
Hoje eu termino mais um livro deste escritor, mais triste do que normalmente termino um livro, pois termino com a certeza de que a literatura ficará mais sem graça e o mundo um lugar mais "cego" de se viver...
"Cada vez mais sós
Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro."
Saramago “Cada vez mais sós”, in Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216
domingo, 13 de junho de 2010
All The Single Lady

Hoje eu passei o dia dos namorados na "entressafra do amor". Mas antes que alguém fique com pena de mim, saiba que foi um dia dos namorados ótimo! Não sendo injusta com o passado ou coisa assim...
A "entressafra do amor" é uma fase que as pessoas deviam aprender a apreciar mais. É quando você se encontra sozinha sem ter alguém para pensar que sobra um tempinho extra para pensar em si...
Na entressafra do amor, descobrimos nossos gostos, nossas manias, que normalmente acabam ficando camufladas com as manias de alguém...
Gastamos mais tempo com os amigos, gastamos mais com a gente...Gastamos mais tempo gastando...
Muitas mulheres tem medo de olhar no espelho e dizer "Sou solteira!". Como se isso tivesse algo de errado. As mulheres precisam aproveitar mais o fato de serem solteiras...
Na entressafra do amor, vc tem mais tempo para ficar horas no telefone com as suas amigas, assistir aqueles filmes que homem nenhum gosta...
Você pode sair mais, conhecer mais gente, mais lugares...
Palavras de um amigo "Para cada ano que você passa solteiro é equivalente a dois namorando".
Na entressafra do amor, que vc descobre do que realmente gosta, ou não...
Enfim, é na entressafra do amor que você estará pronto para descobrir...Um Novo AMOR!!
Por último um texto do John Lennon que vale à pena ler...
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Henry Miller

No dia 7 de Junho de 1980, o mundo perdia um dos seus maiores e mais polêmicos escritores. Henry Miller não foi só um escritor foi um "subversivo da literatura". A sua obra é difícil de definir....talvez fique entre o fantástico e o desnecessário.
O meu primeiro contato com Henry e sua obra foi através do filme "Henry e June" (USA, 1990). O filme narra o encontro de Anais Nin (Maria Medeiros) com June (Uma Thurman) e Henry Miller (Fred Ward). Ambientado em Paris, nos anos 30s, mostra Henry num triângulo amoroso e quando escrevia e lançava 'O Trópico de Câncer".
E foi o "Trópico de Câncer" a primeira obra que li de Miller. Quase biográfico, embora este considerava que não. "Trópico de Câncer" te transporta para Paris, durante o entre guerras, quando a cidade foi o destino de artistas de todos os tipos e centro cultural e vanguardista da Europa.
Mais do que isso, Henry te faz caminhar por hotéis e pensões baratas, passar fome, viver de favores, transar c/ prostitutas, conviver e se embebedar com outros artistas, intelectuais tão expatriados como ele.
Henry não te pergunta se você quer tanto, quando você percebe está lá a "fornicar com os personagens". Nada em Henry Miller é pouco, não é ousado ou não é polêmico.
A obra de Henry hoje é considerada "erótica". Porém, a minha opinião leiga a considera pornográfica. Hoje a nossa noção de pornografia é mais ampla. Mas se analisarmos o contexto da época que foi escrita...
Embora tenha ficado conhecido pela sua literatura erótica, Miller escreveu obras que fogem da temática sexual como "Big Sur e As Laranjas de Hieronimus Bosch", "Colosso de Marússia", entre outras...
Passaram se 30 anos que Henry Miller, deixou o mundo. Porém, este vive nos seus "Trópicos" e na sua intrigante "Crucificação Encarnada".
domingo, 6 de junho de 2010
Hasta La Victoria Siempre

Hoje eu vou escrever sobre filmes que tem como mote a Revolução Cubana...
A Revolução Cubana foi um movimento armado que levou a derrubada do ditador Fulgencio Batista de Cuba em 1 de janeiro de 1959 pelo Movimento 26 de Julho liderada por Fidel Castro.
Bom, alguns filmes sobre a Revolução Cubana.
A Cidade Perdida (Lost City). Fico Fellove (Andy Garcia) é o proprietário da elegante casa noturna El Trópico e tenta manter sua família unida, em meio à tomada da cidade pelas forças revolucionárias de Fidel Castro. O filme mostra uma revolução cubana de uma ótica da burguesia que perdeu tudo.
Antes do Anoitecer (Before Night Falls). O filme mostra a história de Reynalo Arenas (Javier Bardem). Após ser educado com a Revolução Cubana e premiado nacionalmente por seu trabalho, o escritor Reynaldo Arenas termina sendo preso e após isso vai viver no exílio em Nova York. O filme é bom, mostra o preconceito com os homossexuais e a opressão política e intelectual da revolução.
Che. Ernesto Che Guevara (Benício Del Toro), um jovem médico, é apresentado por Raul Castro (Rodrigo Santoro) ao irmão deste, Fidel (Demián Bichir). Desse modo ele se dispõe a ajudar o advogado cubano a voltar a sua terra e tomar o poder do ditador Fulgêncio Batista. O filme é muito legal e mostra um Che diferente dos anteriores. Um Che mais humano, idealista. Lembra o Che, que seria maduro de Diários de Motocicleta.
Bom, essas são as dicas de filmes, vale a pena citar também Diários de Motocicleta. O filme dirigido por Walter Sales e estrelado por Gael Garcia Bernal. Embora não seja sobre a Revolução Cubana, mostra a juventude de Che. O filme é excelente, uma fotografia bela e trlha sonora muito bem feita.
Vale a pena assistir todos e cada um tire a sua conclusão. Na verdade o que fica é "Hasta La Victoria Siempre"
sexta-feira, 4 de junho de 2010
O Segredo dos Seus Olhos

(El Secreto de Sus Ojos, 2009).
O quanto um olhar pode dizer sobre algo? Baseado no livro "La pregunta de sus ojos"(A pergunta dos seus olhos), de Eduardo Sacheri, (que descobri que é uma obra bastante lida na Argentina),o filme de Juan José Campanella faz perguntas o tempo inteiro.
O filme traça paralelos entre o passado e o presente deixando o espectador tonto e intrigado. Cada personagem é explorado aos poucos, construindo um segredo que é desvendado aos olhos...
Quando eu assisti ainda pensei. Como podemos contar a mesma história sem ser repetitivo? Como falar de amores não realizados ou amores interrompidos e ao mesmo tempo ser inovador?
Benjamín Espósito (Ricardo Darín), após se aposentar resolve escrever sobre o caso que mais marcou a sua vida. Um homicídio que investigou em 1974. Com isso começa a repensar o que foi a sua vida e os acontecimentos que fizeram parte desta história.
É quando entra em cena a sua superior Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil) que é sua amiga, companheira de trabalho e paixão inatingível. Os acontecimentos, assim como os outros personagens que povoarão a história, são apresentados aos poucos, fazendo com que estejamos interessados durante o filme inteiro.
"O Segredo dos Seus Olhos" mostra pessoas normais com sentimentos tão humanos que nem os olhos podem esconder. Porém, o final é capaz de tirar o fôlego e surpreender aqueles que acham que olhos não são capazes de esconder segredos. Eu apostaria que sim e o "O segredo dos seus olhos" mostra isso belamente.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Max Ernest - Uma Semana de Bondade

O legal de morar em Sampa é que sempre tem algo legal para se ver e fazer. O problema é conseguir tempo para aproveitar tudo. Quando você mora a uma quadra do MASP, o mínimo que se espera é que você visite as exposições itinerantes.
Pois é, fazia um mês que não passava em frente ao MASP e quando passei vi que está rolando uma exposição do Max Ernest.
Quem me conhece, sabe que eu tenho uma predileção pelo Surrealismo (sinceramente? Não sei pq!).
Max Ernst nasceu na Alemanha no dia 2 de abril de 1891. Conheceu o Surrealismo por Jean Arp.
Porém, foi convocado para lutar na I Guerra Mundial.
Após o término da guerra, mudou-se para França em 1922. Em Paris, quando junta-se aos surrealistas e torna-se amigo de André Breton (Considerado por muitos como o Papa do Surrealismo).
Eu ainda não fui a exposição do Masp, quando eu for prometo expandir este post. Mas li o seguinte.
Do site do Universia
Max Ernst - Uma semana de bondade, com a coleção completa do Gênesis retratado pelo artista. As 184 obras estavam guardadas há mais de 70 anos pelo colecionador francês Daniel Fillipacchi. As imagens fazem crítica cáustica e surrealista às convenções sociais da Europa do período entre guerras.
Entre as obras estão cinco jamais expostas ao público. Sob alegação de blasfêmia, elas não participaram da única exposição realizada com as colagens, em 1936 em Madri, na Biblioteca Nacional, atual sede do Museu Nacional de Arte Moderna.
A coleção se divide de acordo com os dias da semana, tendo dado origem a cinco livros lançados em 1934. Nas colagens Ernst afastou-se da concepção bíblica, criando seu próprio Gênesis: o Domingo surrealista é recheado de orgias, violência, blasfêmia e morte, primeiro contraponto significativo ao dia de descanso.
Já a Segunda-feira é composta por 27 trabalhos que têm influência do elemento água, que também serve para batizar os trabalhos. Esse conjunto de obras procura descrever a insignificância do poder das autoridades diante da força da natureza. Assim, águas invadem e arrasam toda a cidade de Paris, questionando os valores exercidos pela burguesia da época.
A Terça-feira explora a ironia a partir de 45 obras de homens com asas de dragões e serpentes presentes em situações da rotina da classe privilegiada. Essa coleção é chamada A corte do dragão, que tem como elemento o fogo. Já o caráter mítico de Édipo é abordado sob o elemento sangue nas 29 colagens de Quarta-feira, batizada com o nome do mito grego.
A Quinta-feira é subdividida em O riso do galo, que conta com 16 colagens, e A Ilha de Páscoa, formada por outras dez. Ambas sob o elemento escuridão, abordam as diferentes formas de poder. Na primeira, o galo gaulês, símbolo do estado francês, é presente em todas as imagens, inclusive como parte do corpo dos protagonistas da cena. Em A Ilha de Páscoa, situações de intimidade são exibidas sempre com um dos personagens usando máscaras.
A Sexta-feira obedece ao elemento visão e tem imagens emblemáticas que abordam o interior, a estrutura do humano e do ambiente que o cerca: corvos, caveiras e uma série de símbolos são utilizados nas três divisões. O Sábado, último dia da semana, batizado A chave das canções, referencia ao elemento desconhecido, em que toda a preocupação com a realidade é abolida
Max Ernst - Uma semana de bondade
Local: MASP(Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)
Data: de 23 de abril a 18 de julho
Horário: de terça a domingo e feriados, das 11h às 18h. Às quintas das 11h às 20h
Ingressos: R$ 15. Estudantes: R$ 7. Gratuito até 10 anos e acima de 60 anos. Às terças-feiras a entrada é gratuita para todos.
Endereço: Av. Paulista, 1578
Telefone: 11-3251-5644
Site: www.masp.art.br
Twitter: @maspmuseu
sábado, 29 de maio de 2010
Lemon Tree

O filme mostra uma viúva palestina de meia idade, Salma Zidane (Hiam Abbas) que mora na região da Cisjordânia, fazendo compotas de limões retirados do seu pomar que é herança do seu pai.
Porém, um dia muda-se para a casa ao lado Israel Navon (Doron Tavory), que é o Ministro da Defesa de Israel.
Após isso, o seu pomar passa a ser considerado uma "ameaça terrorista" e Salma recebe a ordem de cortá-los. Salma não aceita a exigência e dá início a uma batalha judicial pelo direito de manter seus limõeiros que são mais que o seu sustento e sim parte de suas raízes culturais.
Através do simbolismo de Salma, uma mulher sozinha lutando contra o poderoso Estado de Israel, vemos o descabido conflito cultural, racial e bélico que acontece entre israelenses e palestinos.
Lemon Tree conta com atuações fantásticas e uma história que mergulha profundamente no cotidiano do conflito.
Após ver o filme fui em busca de mais informações sobre ele. O filme foi produzido por Eran Riklin e foi Prêmio de Público no Festival de Berlim. Além de diversos prêmios em vários festivais para a atuação brilhante de Hiam Abbas e foi produzido por uma união entre produtores franceses, israelitas e alemães.
O filme vale a pena desde o primeiro minuto e mesmo depois do final, que é ótimo, não nos abandona, seja pelos questionamentos que ele levanta ou pelas ótimas atuações.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Jean Charles

O filme conta a história dos últimos momentos do brasileiro Jean Charles, morto por engano pela polícia inglesa. Mais do que isso, o filme é um mergulho no cotidiano dos imigrantes (no caso os brasileiros) em busca do sonho de uma vida melhor.
Até onde a vida é melhor lá fora como imigrante ilegal? A saudade da família, o preconceito, o trabalho duro e falta de dinheiro são o cotidiano desses milhões de brasileiros.
Eu particularmente gostei da atuação do Selton Melo que criou um Jean Charles que não foi um herói. Não tinha nada de espetacular e não morreu como mártim.
Foi apenas um brasileiro comum que morreu vítima do preconceito e a insanidade de um país que vive diariamente com a ameaça de terrorismo.
Há Tanto Tempo Que Te Amo
Juliette (Kristin Scott Thomas) retorna à sua família e à sociedade, após 15 anos de ausência e rejeição. Apesar de uma separação familiar drástica no passado, sua irmã mais nova, Léa, decide abrigá-la em sua casa, onde mora com o marido, as duas filhas e o sogro. Aos poucos, a trama revela a aparente amoralidade por trás da tragédia que manteve Juliette afastada por tanto tempo da vida real.
O filme consegue manter a tensão do começo ao fim. O ar de mistério e segredo vai aos poucos se desfazendo e faz com que vc se mantenha interessado. São bons atores, uma trama bem feita. Porém, o final surpreende mas é aquele que todos gostariam que fosse. Como numa novela com final feliz, perdeu-se a oportunidade de aprofundar os questionamentos levantados durante a trama.
Não chega ser uma obra de arte mas vale a pena assistir.
sábado, 22 de maio de 2010
Pop Art - Andy Warhol

Na Estação Pinacoteca está até o dia 23 de Maio a exposição do Andy Warhol. Hoje eu pude conferir um pouco do Mr. América. O lugar estava tão lotado quanto um shopping às vespera do Natal. As pessoas caminhavam e admiravam as obras com o mesmo entusiasmo que as vitrines no shopping.
Neste ponto, não posso negar que o sentimento que estas obras despertam é o mesmo que as vitrines do shopping. É um sentimento de conhecimento. Algo que faz parte do nosso tempo. São obras que estão inseridas no nosso contexto social e temporal.
Mais do que isso, fotografias, filmes, serigrafias são peças do cotidiano. Ferramentas que fazem parte do nosso modo de comunicação.
Além disso, ao andar pelos corredores e nos deparar com as figuras de Marilyn Monroe, Jackie O, Pelé, Marlon Brando entre outras pensei um pouco no conceito de celebridade, icones e o que faz de algumas atemporais e outras efêmeras.
O próprio Warhol disse que um dia todos teriam seus 15 min de fama. Hoje com internet, twitter, facebook, blogs e outras mídias sociais podemos experimentar um pouco o que é digamos brincar de celebridade. Hoje expomos voluntariamente nossas vidas e com isso brincamos com a nossa popularidade. Todos temos algo a dizer (como eu mesma neste blog, mas qual a relevância disso?).
Ver Warhol valeu pela reflexão dos nossos valores e o que é Pop e o porque disso.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
ABBA - The Show
Uma tarde agradável de Outono em frente a Estação da Luz.
domingo, 9 de maio de 2010
Conhecimento Maduro
Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'
quarta-feira, 28 de abril de 2010
O Escafandro e a Borboleta
O que você faria se tivesse um derrame e ficasse consciente? Porém seu único movimento é abrir e fechar o olho esquerdo?
Essa é a narrativa de 'O Escafandro e a borboleta".
Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) tem 43 anos, é editor da revista Elle e um homem apaixonado pela vida. Porém, sofre um derrame e passa a ficar consciente mas preso num corpo que não responde a seus estímulos.
Preso num "escafandro" Bauby passa a fazer a sua reflexão sobre a vida e desta maneira passamos também a ser também personagens desse questionamento.Pois, durante os primeiros 30 min do filme o "assistimos" da ótica de Bauby. Este mergulho é perturbador.
A trilha sonora é fantástica com músicas do U2, The Velvet Underground e até então desconhecido para mim "Ultra Orange Emmanuele - Don't kiss me goodbye". O filme vale do começo ao fim.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
São Paulo

Seus olhos refletem a avenida,
Uma saudade e uma despedida.
Sua alma é feita da esperança,
Daqueles que chegam apenas com sonhos de herança.
O caos megalomaníaco é sua fase mais pungente,
Um retrato da metrópolis de todas as nações,
Nada se deixa de pensar por toda essa gente.
Que por aqui vive as mais contraditórias emoções.
Sinto te bela e fria,
Um misto de tristeza e alegria.
Vivendo te e recriando todo os dias.
Somos apenas paulistanos,
Uma junção dialética,
Que faz de São Paulo a mais poética.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Não me irrite

Não me irrite com saudades não sentidas,
Ausências não percebidas,
Despedidas não pedidas.
Não me irrite com seu importar ausente,
Dores de somente quem estais é que sente,
Seu contentamento descontente.
Sua alegria pungente...
Não me faça de grande amizade,
Pois ainda que a saudade,
Venha nos espreitar,
Não existe realidade,
Não existe verdade,
Que ela possa encontrar.
