domingo, 14 de dezembro de 2008

Uma lua, duas madrugadas...

Um dia veremos a lua que não contemplamos,
Talvez sinta a ausência que nunca percebemos,
Nada mais do que aquilo,
Que queriamos que fosse,
Não foi nada disso.
Mas não nos perdemos por isso.
Agora deixo as escolhas dizerem,
Aquilo que nunca tivemos coragem de pronunciar...
Um adeus rouco,
Um sonho louco.
Que eu não queria acordar.
Mas não teve também o sonhar.
Apenas um coma mórbido.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Monólogo

Uma ausência esperada.
Uma saudade sentida.
Um monólogo de luta.
Uma solidão que ninguém escuta.
Ainda não me acostumei a não te querer,
Quando me distraio logo te vejo,
Sinto, procuro e desejo.
Nada deixa de ser rapidamente,
Não conseguimos viver aos poucos,
Quando se tem pressa de ser feliz.
Quando a única alegria foi ter esperança.
Esperando por aquele que nunca quis...

domingo, 12 de outubro de 2008

Você me faz parecer menos só, menos sozinho.

Quando seu olhar me encontra,
seus beijos me trazem vida.
Sinto sozinha a minha dor.
Talvez porque nada é eterno.
Porque seja apenas um pouco,
de calor nesse longo inverno.

Quando você me olha assim,
Penso no dia que deixarei de pensar,
Ainda bebo o vinho na sua taça,
Penso e ainda acho graça.
Quanto ainda de amor nos resta,
e como deixamos o tempo escapar,
por menos de uma fresta.
Ainda terá um tempo de amar?

Quando você diz o que pensa,
Choro as minhas saudades,
Aquela dor que não sei direito.
Sinto falta do minuto anterior.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Amar

Um amor assim não é para ser vivido sozinho,
Pois é muito para uma vida inteira.
Sendo grande demais para uma única pessoa.
Cheio de nuaces como a própria vida.
Um amor assim, nasceu para ser compartilhado.
Aumentado, dividido e recomeçado.

Um amor assim precisa aprender a viver,
Plenamento todos os momentos,
Deixando de ficar inseguro,
Um amor assim precisa ser resgatado,
Precisa ser vivido,
Não pode ficar num coração somente contido.

domingo, 5 de outubro de 2008

Solidão

Triste
Vazio
Incerto
Deserto
Solidão
que
tudo
percorre
escorre
solidão
que
faz
dois
olhos
buscarem
apenas
uma
coisa
duas
lágrimas
correrem
separadas
pelo
nariz
um
coração
bater
por
dois
Solidão
que
faz
tudo
buscar
um
sentido
Faz
cada
palavra
existir
sozinha
porque
cada
palavra
tem
a
sua
própria
Solidão

Paz

Um dia quem sabe encontro um estar,
Um cantinho bacana ou meu lugar...
Um dia quem sabe encontro um pouco de paz,
Quem sabe encontro meu lugar,
Dentro do seu olhar.
Uma estrada, uma praia ou um luar.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A janela da alma

Eu tenho medo da saudade que irei sentir. Ainda procuro um tempo de viver nós dois. Um viver lento e que sentirei cada pedaço seu. Cada expectativa mal vivida. Cada emoção não sentida. Eu tenho medo de deixar de te desejar. Pois assim, irei querer somente eu. Pois o nosso nós é um viver solitário.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Tanto céu, tanto mar, tanto amar...

Tanto amar que morri, como quem morre de repente. Um amar que mata aos poucos, que vem em ondas quebrando numa praia. Um amar que vem como o mar, arrebata, quebra e parte....
Um amar, que levou com o mar, amar. Deixando somente o céu para amar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ausência

Carlos Drummond de Andrade

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,que rio e danço e invento exclamações alegres,porque a ausência assimilada,ninguém a rouba mais de mim.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Nada mais pouco do que não acreditar num louco

A demência é o nosso acreditar. A fé é seu sintoma. Não somos nada além daquilo que criamos a expectativa que podiamos ser. Não faça promessas, não faça discurso, não crie expectativas. Somos apenas um sonho que acaba ao amanhecer.

domingo, 17 de agosto de 2008

O corpo é o instrumento da alma

O corpo é o instrumento da alma,
Ela sorri, corre, foge, cria expectativas,
Mas nunca se acalma,
Diante das sensações e tentativas.

O corpo sente frio e se esquenta,
Sente arrepios e não se aguenta,
Cresce, sente, tenta,
Quando perde não se lamenta.

A alma busca suas verdades,
E o corpo busca suas vaidades,
A alma ama,
E de saudades reclama.

A alma quer se enroscar,
Quer gritar,
Quer chorar,
Usando o corpo para falar.

A alma usa as pernas para correr,
Os olhos para entender,
A boca para dizer,
e o coração para fugir.

A alma nunca se acalma,
Não deixa para lá,
A alma nunca mente,
A tristeza que o corpo já não sente.

A alma a todo momento,
Algo está querendo,
Chamando de sentimento,
O que está dizendo.

A alma usa o corpo para mudar o mundo,
Vive tudo num segundo,
Mas seu instrumento com ela está
Para o que tiver que ser será.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Esses dias de olhar o horizonte

Esses dias de olhar o horizonte são estranhos. Você não sabe o que está perto ou longe. Uma miopia existencial e uma taquicardia agonizante. Uma pulsação ao agir e um mal estar mental. Uma doença crônica e medrosa. Um tumor vazio e um coração gélido.

"Nada mais feio do que dar pernas longuíssimas a idéias brevíssimas"

Uma frase de Machado de Assis. Existe um tempo para tudo. Um tempo para esperar, outro para acreditar e outro para desistir e seguir em frente. Não sei quando deixei de acreditar, mas sei que apenas seguirei em frente. Nada além de pensamentos e a lembrança daquilo que não foi. Você deu nada e agora é só isso que eu tenho. Porque acredita que pode cobrar mais ? Não existem lembranças para serem vendidas. Somente promessas não cumpridas e deixei-as guardadas numa caixa com fotografias vazias que não tiramos.

domingo, 27 de julho de 2008

Um pouco de tudo e tudo aos poucos...

Sinto uma intensidade fingida. Tudo é falso ao sentir. Não sinto o medo que deveria ter das coisas e não sinto a covardia que te faz recuar. Sinto vontade de ter você. Isso é verdade. As lágrimas e as saudades são inventadas. As minhas coincidências são inventadas. Pretextos para te ter. Porque a única coisa que é verdade em mim é que eu quero você inteiro.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Cada hora que passa envelhecemos dez semanas...

Uma vontade de gritar mas desisto logo. Os meus gritos são abafados pelas buzinas dos carros que passam frenéticamente na minha janela. Não sei aonde ir e nem porque deveria sair correndo. Só sei que tenho vontade. Compreender as nossas vontades é uma virtude.
O tempo passa rapidamente e não consigo parar. Não consigo esperar mais nada. Não posso esperar. Eu pisco e anoitece...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados




O dia dos namorados nasceu de uma ideia do antigo Mappim para aquecer o comércio que nesta época era fraco.
Todos os anos nesta data uma "manada" de namorados saem desesperado lotando shoppings, motéis, restaurantes e todas os lugares "românticos" do planeta terra.

Antes que alguém me ache uma insensível, eu diria que não sou...amo programas a dois e românticos...Mas acho que tem horas que falta criatividade.

Alguns programas que acho legal a dois e fogem um pouco das multidões;

1) Exposições, Museus... Muitos paulitanos não conhecem os museus da cidade. São Paulo é fantástica no quesito. Alguns lugares são MASP, Pinacota, MAM... Bem legal é estar abraçadinho a alguém vendo uma obra do Portinatti, Picasso...

2)Templo Zulai, localizado em Cotia, independentemente da sua religião vale a pena a visita. Os jardins são lindos e a arquitetura sensacional. Vale a pena passear abraçadinho...

3) Parque do Ibirapuera, se você faz o tipo mais esportista nada melhor do que cuidar do corpo juntos. Lembre-se de alongarem antes...

4)Orquestra Sinfônica de São Paulo Já viu um concerto da OSESP? Se a resposta foi não, está perdendo uma ótima diversão. Seja na Sala São Paulo ou no Teatro Municipal, a visita vale pela música e pelo lugar.

5) Ir ao teatro. Seja para ver uma comédia, drama ou qualquer outra peça vale a pena incentivar a cultura e de quebra ter um tema para conversar depois do jantar.

6) Ir mergulhar! O Mergulho é um esporte para ser feito em dupla... Mas pode ser feito em casal, ajuda a aumentar a cumplicidade e trabalho em equipe.

7) Livraria. Passear numa livraria à dois é ótimo! Vcs podem trocar dicas de leitura, tomar um café juntos, sentar num puff e ler um livro juntos, ouvir um cd...

8) Viajar junto. Fujam de lugares óbvios! Campos do Jordão está fora de cogitação...Vale a pena conhecer lugares deliciosos como Paraty, Circuito das cidades históricas de Minas...

9) Não fazer nada!! Quem disse que no dia dos namorados é obrigatório sair, passar perrengue? Pense duas vezes antes...Pode ser um motivo p/ brigar pq o lugar está cheio, o garçom trocou o prato...

10) Dia dos namorados é todo dia...Se vc está precisando de uma data p/ comemorar a pessoa que está do seu lado...Hunf! Volte para a dica número 1!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Outono




As nuvens enganam as horas. Um pálida e cinzenta manhã. A chuva fina, as folhas no chão, nos lembram que já é uma nova estação. As árvores nuas nos canteiros, sufocadas pelos carros. O ar gélido beija os transeuntes que andam apressados. Uma manhã triste de outono...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Insônia



A cidade não dorme, permanece sonolenta.
São 3h15 ainda, penso. Alguns carros passando na rua e um gélido ar de madrugada. Ligo a tv, nela todos parecem dormir e não tenho nada para assistir.
Começo mais um livro pois estou sem paciência para terminar os outros 5.
Um cigarro, 3 páginas, um copo de coca light. Sono...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um dia desses, um lugar marcado e um pensamento está a voar...



...e é tudo o que preciso.
Os pensamentos são as asas da alma.

Amar nada mais é que um querer bem...

Amo porque te amo,
Não é pouco nem demais.
Amo te mais que ontem,
Menos do que sou capaz.

Moby - Porcelain

In my dreams I'm dying all the time
Then I wake its kaleidoscopic mind
I never meant to hurt you
I never meant to lie
So this is goodbye
This is goodbye

Tell the truth you never wanted me
Tell me

In my dreams I'm jealous all the time
And I wake I'm going out of my mind
Going out of my mind...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Eu prometo

Eu prometo não te prometer nada
Nem te amar pra sempre
Nem não te trair nunca
Nem não te deixar jamais.

Estou aqui, te sinto agora
Sem máscaras, nem artifícios.
Enquanto for bom para os dois
Que o outro fique.

Nada a te oferecer exceto eu mesma
Nada a te pedir exceto que seja...
Quem tu és.

Tuas coisas continuam tuas...
E as minhas, minhas.
Não nos mudaremos na loucura...
De tornar eterno,
Esse breve instante que passa.

Se crescermos juntos,
Ainda que em direções opostas
Saberemos nos amar como somos
E não teremos medo ou vergonha...
Um do outro.

Não te prendo e não permito...
Que me prendas.
Nenhuma corrente pode deter,
O curso da vida.
Quero que sejas livre como eu...
Própria quero ser.

Companheiros de uma viagem
Que está começando...
Cada vez que nos encontramos novamente.

Geraldo Eustáquio de Souza

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Um drink....


A porta de entrada era iluminada por um letreiro brilhante, o "A" no final nunca acendia. A porta era estreita e era guardada por um homem alto e meio gordo. Entre e fique à vontade dizia ele sem convicção colaborando para que os mais tímidos pensasse até em recuar.
Após andar no corredor estreito, havia uma pista de dança que sempre estava vazia, exceto por alguns solteiros se despedindo da solteirice, comemorando, prometendo nunca mais voltar lá. As cadeiras mais distantes eram cobertas por um estofado imitando couro, alguns rasgados.
No fundo, algumas garotas permaneciam sentadas ou andando atrás de um drink. Ela era a que mais andava pelo salão. Nunca sentava ou esperava um cliente. Sempre atenta as melhores oportunidades, ela os fisgava com os olhos e eles vinham enfeitiçados. Usava uma saia curta e gostava de blusas decotadas. Não gostava de colares, o corpo sempre à mostra. Os seus maiores adereços eram o batom vermelho e seus seios, nada mais.
Morava de aluguel num quarto da casa e se orgulhava de não ter ninguém.Somente a mãe doente que mandava dinheiro regularmente. "Eu trabalho para ela, justificava-se". Todas as noites eram iguais e a rotina era parte da sua maneira de existir. Somente o que era concreto ela deixava como parte da sua vida. As aspirações, medos e esperanças se desfaziam no primeiro cliente. O futuro era parte das suas confissões mais íntimas, mas era também apenas mais uma noite, uma bebida, um cliente.
O músico ficava no palco pobre de atrações. Os saltos cansados, a gola caida, os copos sujos, os cigarros apagados.
Porém, todas as noites, quando um homem entrava no salão, ele fazia um sinal para o músico e este começava a sempre a mesma música. Na terceira nota, ela já se levantava e sentava na mesa 9 que sempre estava reservada. Passavam-se alguns minutos e um homem se aproximava.
"Como vai minha querida?" Dizia ele sorrindo, beijando sua testa e sentando a mesa. O garçon já estava pronto e já trazia a bebida. Ela sorria, bebiam. Ela conversava e falava sobre a mãe doente e tudo mais. Ela tentava descobrir sobre ele e perguntava sobre sua mãe, ele dizia "todos temos uma origem". Não conseguia ir mais além nas suas descobertas. Quando ela tentava ir mais a fundo na sua investigação, ele desviava o assunto e logo perguntava sobre o seu dia. Ela se distraia, começava a falar compulsivamente. Ele apenas sorria e a contemplava. Quando ela se dava por si, muitas perguntas tinham passado. Subiam para o quarto e ela se despia aos olhares atentos dele. A luz acessa e aos poucos os corpos tomando formas. Roupas jogadas em cima da cadeira tão juntas quanto seus corpos e tão sem ordem como eles.
Adormeciam e quando ela acordava o quarto estava vazio e suas roupas sozinhas. Na cabeceira sempre o dinheiro e um pouco mais que ela escondia para estravagâncias. Sorria e ainda sonolenta sentia o amassado da cama e aquele cheiro que custava passar. Dormia abraçada ao travesseiro. As noites passam iguais e mais iguais ficavam, ela gostava da sua rotina. Todos precisam de uma rotina para se sentirem seguros. Aquele homem a confortava, conseguia paz, bebida e principalmente uma noite de sono. Todas as noites ela esperava ansiosamente os acordes do violão para ter a certeza que no fundo não era livre como costumava dizer e tinha medo como costumava negar.
Uma noite porém o repertório não teve aquela música. Já era mais tarde do que o habitual. Ela olhava a porta todo momento. Aos poucos esperava que ele se aproximasse e como de costume o músico começaria a tocar a sua música. A nossa música pensava. Mas aquela noite não tocou. O violão ficou mudo e ela desiludida. Bebeu, bebeu e não quis subir para o seu quarto. Amanheceu ali. Assim, acreditava que a noite chegaria mais rápido.
A noite seguinte foi de angústia e um violão sem os acordes conhecidos, mais bebidas e solidão. Uma nova rotina tomando conta das suas noites e ela apenas uma personagem do esquecimento, do tédio ou vítima de uma enorme catástrofe. Não sabia e não teria como saber.
Aos poucos, parou de olhar para a porta. Não iria permanecer sentada pois não estava acostumada a isso. Mas todas as noites, ela pede ao músico para tocar a sua música. Neste momento, ela deixa todos os clientes. Dirige-se a mesa nove, o garçon se aproxima trazendo a bebida. Ela se embebeda ouvindo o som. Nada mais.

domingo, 20 de abril de 2008

Um terço de liberdade...

Segue seus sonhos,
enfrente seus medos...
Um dia eles pioram,
pioram porque se tornam mais reais.

Sem poesia rasa sobre a efemeridade da vida.
Não é o momento dessas.

Creia nas suas verdades,
viva seu mundo.

Um sorriso, uma dor, uma perda, uma risada,
Mas apenas uma coisa de cada vez...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Organizar sim, perder jamais...


Como muitos escritores ainda buscando sua idéia original. Só com isso me torno repetitiva e clichê.
....
Vamos lá !